A chef

Uma trajetória entre a França, a Croácia e Paraty.

Durante minha graduação na USF
Retrato jovem / Senac Grande Hotel

Águas de São Pedro, 18 anos

Comecei a cozinhar profissionalmente aos dezoito, num curso no Senac de Águas de São Pedro — o antigo Grande Hotel. Ao final dos cinco meses, fui contratada. Fui a primeira mulher da casa a entrar na cozinha quente. Fiquei um ano e voltei para Campinas, onde cursei gastronomia na Universidade São Francisco e trabalhei no Palma Plaza.

Restaurante Spoon, França
Cozinha Jules Verne / Torre Eiffel

França, 2014–2022

Um intercâmbio me levou à Côte d'Azur, para um hotel com uma estrela Michelin. Foram seis meses no estágio e, depois, convite para voltar — o que fiz.

Em Paris, passei pelo Jules Verne, na Torre Eiffel. O restaurante é de Alain Ducasse, um dos chefs com mais estrelas Michelin ativas no mundo. A vaga não saiu de currículo formal: uma amiga avisou que tinham dispensado alguém, liguei direto para o chef com o francês que eu tinha, fui chamada para entrevista no dia seguinte, comecei naquela semana. Quatro meses era o tempo médio de permanência na equipe — todo mundo saía antes. Eu fiquei.

Depois veio o Spoon, com conceito baseado na Rota da Seda — cardápio que ia do norte da África à Índia. Foi ali que aprendi a cozinhar com especiarias e técnicas fora do vocabulário francês clássico.

Evento público do projeto
Cozinha sobre rodas / projeto Ateliê Médicis

Em Volta da Mesa

Paralelo ao trabalho em restaurante, entrei num projeto do Ateliê Médicis com a France Habitation, numa moradia coletiva em reforma num bairro marginalizado. A gente construiu uma cozinha sobre rodas com material reciclado. Duas vezes por semana, jantares abertos: moradores, artistas e políticos na mesma mesa. Comida dos países de origem das famílias: Argélia, Mali, Tunísia, Marrocos, Senegal. O nome do projeto era Autour de la Table, Em Volta da Mesa.

Equipe N I И O N
Boutique hotel / Hvar

Croácia

O último trabalho antes de voltar pro Brasil foi num boutique hotel em Hvar, entre os três melhores da Croácia. A proposta era cardápio surpresa pra hóspedes que ficavam dez dias — cinco entradas, cinco pratos, cinco sobremesas diferentes em sequência, sem repetir nada. Produto local, criatividade em dia.

Pratos em Paraty
Estela em Paraty / cozinha atual

Paraty, agora

Hoje eu cozinho em Paraty. Sem restaurante. Vou até a villa do cliente, a casa alugada, a pousada, o iate. Os ingredientes eu compro pessoalmente — na manhã do serviço, no mercado municipal ou na feira. Minha especialização é carne e vegetal; o resto entra quando faz sentido pro menu.

Eu e minha inspiração na minha formatura
Avó Anair ou mãe Maria / arquivo de família

Uma linhagem

Minha mãe, Maria, nasceu em 1961 em Campo Grande. Minha avó, Anair, veio do Paraguai — Pedro Juan Caballero. Falava guarani, teve de esconder que falava. Minha mãe, já em Campinas, passou os anos noventa dando aulas de culinária para mulheres na periferia noroeste — Satélite Íris, DIC, Floresta, São Luís — com a ideia de que cozinhar bem era uma via de autonomia. Eu acompanhei essas aulas desde os dez anos. Muito do que eu faço hoje começou ali.

Vamos cozinhar algo juntos?

Conversar no WhatsApp